ESTRÉIA: CRÔNICAS DO GRAMPOLA, ROTINA

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“Você pode acompanhar toda quarta no portal do Na Mira, as crônicas do bom e velho Grampola”

Rotina

E assim ela voltou pra casa!

Toda suja, mesmo arrumada, ainda tonta sob o efeito do que à faz continuar.

Passa lentamente pele porta, como quem não acredita ter voltado, e em um gesto seco, quase violento, bate à porta que se tranca.

Silêncio… enfim ela respira aliviada.

Joga a chave sob a mesa, descansa a bolsa no chão, e com a mesma mão na geladeira busca e alcança uma única garrafa de água.

O intervalo é curto, é preciso voltar!

Ascende um cigarro, ao final outro…. E assim sucessivamente em um ciclo vicioso.

Com a mão do cigarro tremendo e seus olhos mareados pelo ódio, vergonha e ressentimento, segue inalando fumaça, até o final da carteira, compulsivamente um na “guimba” do outro.

Parada ao alto do parapeito da sacada do seu prédio, aprecia invejando o sono tranquilo tendo ao fundo, o som agitado da cidade que não dorme.

Olhando pra baixo, ela para, se deprimi!

Busca outra garrafa, agora à água não mais conforta. A paz chega perto do fim junto ao adiantar da hora, um gole, à faz entorpecer o trauma.

Toma um banho, buscando lavar o que não se toca. Mas não consegue!

Quanto mais se esfrega com ódio embaixo do chuveiro quente, quase lhe queimando a pele. Mas gelada, imunda e vazia se sente, e como quem desiste sai do seu banho.

Busca em vão seu sorriso frente ao espelho, que reflete só o vazio que à preenche.

Se arruma com joias de fino trato, se faz reconhecer com os perfumes mais caros, veste seu melhor vestido.

Está pronta?!  Não!

Nada conforta a dor que à toma.

O cheiro de podridão é tão forte pela culpa em seus pensamentos, tudo que passa enquanto se arruma, é a morte.

Ela quer parar!

Mas ao mesmo tempo, junto a esse seu libertador pensamento, como um susto. Desiste.

Outra dose! E outra, e outra, e outra… é preciso continuar!

Agora sim, ela está volta.

E como quem não se arrepende de nada, encontra seu sorriso, perdido, mas nada tímido, no vermelho lábio que se destaca abaixo da maquiagem pesada.

A campainha toca…

Ela se renova, e como se nada houvera ocorrido se esguia e abre a porta, fechando sua alma.

Adriano Carvalho (Grampola)

Musico, compositor, escritor e poeta. Vocalista e Guitarrista da banda BLECK A BAMBA… Pai e marido.

 

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