MORRE PRIMEIRA VÍTIMA POR FEBRE AMARELA NO DISTRITO FEDERAL

Um homem de 40 anos morreu ontem, 19, vítima de febre amarela. Ele estava no Distrito Federal mas morava em Januário, MG, e já apresentava os sintomas da doença quando chegou no DF para visitar familiares.

EPIDEMIA EM MINAS GERAIS

O surto de febre amarela em Minas Gerais é no meio rural e não urbano. A doença é habitual em macacos, que a transmitem ao serem picados pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que residem na mata. Esses mosquitos se contaminam ao picar macacos doentes e, assim, se tornam os vetores da doença, podendo transmiti-la para outros macacos e para humanos. A picada deles, entretanto, acontece apenas em áreas rurais.

Apesar de estar em uma área considerada de preocupação para a doença, desde um surto ocorrido no final de 2002 que deixou 23 mortos, Minas Gerais ainda tem uma cobertura vacinal contra a febre amarela baixa, o que contribuiu para que a doença se espalhasse.

A chegada da doença em meio urbano, onde ela não circula há mais de 70 anos, poderia ser catastrófica. Nestes ambientes, o transmissor da doença é o popular Aedes aegypti, responsável pela transmissão do zika virus (que estaria relacionado a muitos casos de microcefalia no Brasil), chikungunya e dengue, doenças com surtos frequentes no país, o que mostra que a proliferação deste mosquito está bastante descontrolada. Para que a transmissão urbana da febre amarela ocorra, é preciso que uma pessoa infectada na área rural circule pelo meio urbano e seja picada por um Aedes. O mosquito, então, passaria a contaminar todos que não estejam vacinados ou que não tenham contraído a doença antes, o que já serve como imunização natural.

Neste atual surto, ao todo, o Estado já teve 23 mortos por Febre Amarela, e até amanhã, 21, deve chegar até a região, 800 mil doses extras da vacina.

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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL COMO FATOR IMPORTANTE

Não se sabe exatamente o que pode ter causado o atual surto em Minas Gerais, nem o aumento de casos extra-amazônicos da doença no país nos últimos anos. O infectologista Celso Granato, do Fleury, afirma que existe um ciclo natural da febre amarela entre os macacos, que varia conforme o clima e a época. “O período de chuva facilita a procriação do mosquito e quando aumenta muito a população de macacos tende a haver mais surtos, já que eles são extremamente sensíveis à febre amarela”, explica. O surto em Minas foi precedido pelo aumento de morte de primatas contaminados pela doença tanto em áreas mineiras como no Espírito Santo. “A ocorrência de aumento de febre amarela na floresta é esperado. O que não é esperado é que ela passe para a população humana”, ressalta Granato. Para ele, o aumento de casos entre os humanos têm, provavelmente, relação com a diminuição da cobertura vacinal. 

“A degradação ambiental acaba levando ao sumiço de espécies que estão dentro de uma mata. As que conseguem sobreviver são, geralmente, as que tem uma capacidade maior de viver em ambientes degradados”

A pesquisadora da Fiocruz ressalta que outro fator importante a ser considerado é a questão ambiental. “Fora da Amazônia, o que a gente observa é que esses surtos estão sempre relacionados a lugares de fragmentos de matas muito pequenos. A gente vem trabalhando com uma modelagem matemática pesada e relacionando esses surtos com 7.200 parâmetros ambientais, mas ainda não conseguimos chegar a uma resposta [para as causas do aumento]. A dinâmica da doença é complexa. Mas sabemos que em outras doenças transmitidas com vetores há relação da degradação ambiental com o aparecimento dessas doenças”, afirma ela. “A degradação acaba levando ao sumiço de espécies que estão dentro de uma mata. As que conseguem sobreviver são, geralmente, as que tem uma capacidade maior de viver em ambientes degradados e, normalmente, elas são boas transmissoras de doença”, explica. “Acaba sendo um cenário comum: a perda da biodiversidade levando a uma simplificação do ambiente, com poucas espécies. Os mosquitos, encontrando um número menor de indivíduos [macacos], vão buscar sangue humano.”

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O mosquito Aedes Aegypti é o transmissor da doença no meio urbano.

A área onde ocorre o surto atual é próxima do local onde houve o maior desastre ambiental do país: o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, que completou um ano em novembro passado. O rejeito da barragem chegou até Linhares, litoral do Espírito Santo. A pesquisadora afirma, entretanto, que não é possível correlacionar os dois episódios, já que não existem estudos sobre o tema. “O desastre de Mariana é mais um fator de degradação que deve ser considerado na análise, mas ninguém pode dizer que é o único”, ressaltou ela. Em nota, a Fundação Renova, criada para cuidar dos danos da tragédia pela Samarco, gestora da barragem, afirmou que “irá mobilizar especialistas para promover um painel de debates em torno do assunto”. “Trata-se de uma fronteira de conhecimento e a Renova acredita que o avanço científico deve ser buscado, de forma compartilhada, em prol da coletividade, independentemente de uma possível relação entre os episódios atuais e o rompimento da barragem”, destacou.

 

 

 

fonte: brasil.elpais.com/; Tv Brasil

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